Fábio Roberto / Psicólogo Clínico

Ansiedade do Excesso ao Equilíbrio, Silenciando o Alarme Falso

Esqueça aquela ideia de que terapia é "coisa de maluco" ou um processo chato e cansativo, onde só falamos de problemas.

Quero te mostrar que é possível encontrar leveza e soluções inovadoras.

O post não tem a pretensão de fazer o leitor conhecer e se aprofundar sobre o conceito de ansiedade, dentro de mais um texto engessado, mas sim ir além, mostrar algumas ferramentas que podem mudar a forma como você lida com ela.

Acredito que a terapia pode ser um espaço leve e criativo, onde juntos podemos encontrar novas formas de entender e superar a ansiedade em excesso.

A Ansiedade Segundo Aaron Beck

A ansiedade é uma emoção normal e todos a experimentam em algum momento da vida, quando vivenciamos momentos de medo, dúvida ou expectativa. O problema é quando se torna persistente, provocando dificuldade de concentração e pensamentos negativos impactando no cotidiano de forma significativa.

Nos escritos de Aaron Beck, um dos pioneiros da terapia cognitiva, encontramos que a ansiedade não é apenas um turbilhão de emoções desagradáveis, mas um reflexo da forma como interpretamos o mundo. É como se nossos pensamentos criassem um filtro distorcido, pintando a realidade com cores sombrias e prenúncios de desastre. Em sua perspectiva, a ansiedade frequentemente aprisiona a mente em um ciclo de preocupações futuras, onde o "e se..." se tornam os protagonistas de nossos pensamentos.

Ansiedade e terapia

Beck nos mostra que a ansiedade não se limita a reagir a situações externas; ela se alimenta de padrões de pensamento disfuncionais que nos fazem antecipar o pior, mesmo quando não há motivos reais para tanto. É como se nossa mente estivesse presa em um ciclo de preocupação constante, onde cada pensamento negativo alimenta o próximo, criando um estado de tensão contínua.

A Tríade Cognitiva

Beck também nos apresenta a tríade cognitiva, sendo a visão de si mesmo, do mundo e do futuro. Quando distorcidos da realidade se manifestam na vida cotidiana, como "catastrofização" (imaginar sempre o pior cenário), a "generalização excessiva" (tirar conclusões amplas a partir de um único evento), o "pensamento tudo ou nada" (ver as situações em termos absolutos).

Esquemas Cognitivos

Nossas experiências passadas moldam nossos esquemas cognitivos, que influenciam a forma como interpretamos as situações. Esquemas negativos, como a crença de que somos incapazes ou que o mundo é perigoso, podem nos tornar mais vulneráveis à ansiedade.

Sob a perspectiva de Beck, a ansiedade não é apenas um sentimento, mas um processo cognitivo que distorce nossa percepção da realidade, nos fazendo ver perigos onde não existem e nos aprisionando em um estado de medo constante.

E o objetivo não é eliminar completamente a ansiedade, mas sim aprender a lidar com ela de forma saudável.

Metáforas e Visualizações na Terapia

Usar metáforas, visualizações e outras técnicas criativas para explorar os seus pensamentos e emoções de forma leve e interessante pode ajudar a entender a ansiedade e a encontrar caminhos para superá-la.

Se pensarmos em um labirinto com corredores que se estendem, becos sem saída que se multiplicam. E no centro, um alarme dispara, um som agudo que corta o silêncio.

O pânico vem e incendeia a mente.

Essa imagem, à primeira vista, pode parecer confusa, mas é uma ferramenta que pode ser usada na terapia para ajudar aos pacientes a compreenderem a ansiedade.

E que tal hoje, você experimentar um pouco dessa jornada comigo, aqui e agora?

Metáfora do Labirinto

Labirinto

Respire fundo. Imagine-se diante da entrada desse labirinto. Observe os corredores, a escuridão, a sensação de incerteza. Agora, ouça o alarme. Ele soa alto, constante, perturbador. Sinta a tensão que se instala em seu corpo, a respiração que se acelera, o coração que dispara.

Essa é a ansiedade, em sua forma mais crua.

Explorando o Labirinto: Um Exercício de Dessensibilização

Agora, explore esse labirinto.

Imagine que você dá um passo à frente, hesitante. O alarme continua soando, mas você decide seguir em frente. A cada passo, você se permite sentir a ansiedade, mas não se deixa paralisar por ela. Você observa os corredores, os becos sem saída, mas não se deixa levar pelo medo. Você respira fundo, acalma o corpo, e continua avançando.

A cada passo, a ansiedade diminui um pouco, o alarme se torna menos intenso, a sensação de pânico se dissipa. Você encontra um caminho, uma saída, um lugar de calma e segurança dentro do labirinto. Respire fundo novamente.

Está tudo bem!

Assim como no labirinto, onde encontramos a saída ao enfrentar nossos medos, na vida real também podemos superar a ansiedade.

Essa breve visualização é uma amostra de algumas ferramentas utilizadas na terapia.

A metáfora do labirinto nos ajuda a compreender a ansiedade como um processo complexo, mas que pode ser explorado e superado.

Para Concluir

Exploramos de uma maneira leve e descontraída os sinais e sintomas que a ansiedade pode manifestar em seu dia a dia e uma das técnicas para que você pudesse sentir um "gostinho" de como a terapia pode ser um espaço de transformação.

A terapia rejeitando rotulações, com seu profissionalismo, apoio técnico e humano, revela-se um espaço singular, moldado para cada história individual. Neste espaço acolhedor, a complexidade se dissolve em compreensão, desmistificando estigmas e abrindo portas para uma relação mais leve e eficaz diante a ansiedade, deixando de ser um obstáculo intransponível e se transforma em um convite ao autoconhecimento e ao crescimento pessoal. A cada sessão, o indivíduo fortalece sua capacidade de regular as emoções, cultivar a resiliência e construir uma vida mais alinhada com seus valores e objetivos. A terapia, portanto, não apenas alivia os sintomas da ansiedade, mas também promove uma transformação profunda e mais duradoura, capacitando o indivíduo a viver com mais leveza e autenticidade.

Espero que esse post tenha ajudado a desmistificar um pouco sobre a terapia e de enxergar a ansiedade sob essa nova perspectiva.

E lembre-se: "Você Não Está Sozinho".

Forte Abraço!