Fábio Roberto / Psicólogo Clínico

A Beleza da Complexidade: Reflexões Sobre as Teorias que Moldaram o meu Percurso pela Psicologia

23 de janeiro de 2025

O meu percurso acadêmico pela psicologia foi uma descoberta constante. Desde o início, me vi imerso em teorias que não apenas explicavam o comportamento humano, mas que também me inspiravam a aprofundar meus conhecimentos.

A Psicanálise de Winnicot foi uma das primeiras grandes revelações. A complexidade da relação mãe-bebê e o conceito de falso self me fascinaram, abrindo portas para uma compreensão mais profunda do desenvolvimento da personalidade.

Posteriormente, a corrente humanista, especialmente a abordagem centrada na pessoa de Carl Rogers, me conectou com a importância da experiência subjetiva de cada indivíduo. A escuta ativa, o acolhimento incondicional e a compreensão intersubjetiva se desenhavam como pilares para a minha visão da relação terapeuta-cliente.

Porém, a graduação em Psicologia, embora enriquecedora, deixava muitos conteúdos para trás. Em algum momento me parecia muito superficial, parecia não dar conta da complexidade da experiência humana, o que me instigava a explorar o fascinante mundo da Filosofia e Antropologia. Foi então que me deparei com a incrível teoria de Husserl, a fenomenologia, uma abordagem que me permitiu emergir com um pouco mais de clareza essas profundidades da experiência humana.

A fenomenologia me proporcionou um método para investigar a consciência e a intersubjetividade de forma mais profunda, enriquecendo significativamente minha compreensão da Psicologia. A epoché, suspensão do juízo, me impulsionava a abraçar essa nova perspectiva. A obra de Edith Stein, com sua profundidade sobre a estrutura humana e a empatia, complementou essa jornada, alimentando meu interesse pela teoria.

A graduação foi como escalar uma montanha: a cada passo, a vista era mais bonita, mas o caminho era árduo. Houve momentos em que a sobrecarga de informações me fez pensar em desistir. No entanto, era essa sede por conhecimento que me impulsionava a seguir em frente. Com o tempo, fui aprendendo a apreciar os estudos, compreendendo também que as pesquisas fariam parte para sempre da minha vida profissional e que todo o conhecimento já produzido pelas ciências se esgotava diante da grandeza que é a natureza humana.

Mas foi assim que essa busca por conhecimento não apenas me forneceu ferramentas necessárias para o início da minha prática profissional, mas também me permitiu crescer pessoalmente. Acredito que esse processo de autodescoberta é fundamental para qualquer profissional da saúde mental, pois nos torna mais capazes de estabelecer uma conexão genuína com as pessoas.

Resumidamente, essa experiência me mostrou que o conhecimento não é apenas intelectual, mas também emocional e intrínseco. Acredito que compartilhar conhecimentos e experiências com as pessoas pode contribuir para que elas também vivenciem um processo de crescimento e transformação.

Que este post te motive!

Forte Abraço!